Adísia Sá

Adísia Sá

Maria Adísia Barros de Sá, nasceu em Cariré, no dia 7 de novembro de 1929. É uma radialista, apresentadora de televisão, escritora, professora e jornalista cearense.

Adísia Sá tornou-se bacharel em Filosofia, pela Faculdade Católica de Filosofia do Ceará, em 1954 e Licenciada pela Faculdade de Filosofia do Ceará, em 1962. Foi professora da Universidade de Fortaleza e professora titular da Universidade Federal do Ceará. Em 1969 tornou-se professora em Metafísica, onde permaneceu como docente até 1984, quando se aposentara como professora titular da UFC e da Universidade Estadual do Ceará. Nesse ínterim, foi professora assistente no Curso de Jornalismo e professora titular no curso de Comunicação Social, do Departamento de Comunicação Social e Biblioteconomia.

Iniciou sua carreira jornalística em 1955, no jornal Gazeta de Notícias. Trabalhou também nos jornais O Estado, O Dia e O Povo, onde tornou-se a primeira mulher a assumir a função de ombudsman na imprensa nordestina, em 1994. Exerceu o cargo ainda em 1997 e 2000, sendo nomeada ombudsman emérita do jornal. Ainda possuiu mesma função na rádio AM do Povo, nos anos de 1998 e 1999. Adísia Sá foi também jornalista na televisão, como comentarista da TV Jangadeiro, TV Com e TV Manchete. Foi à pioneira, juntamente com outros colegas, a implantar o primeiro curso de Jornalismo no Ceará. É Membro fundador do Curso de Jornalismo da UFC e da Associação Brasileira de Ouvidores (ABO), seção Ceará. A jornalista também ocupou diversos cargos de direção em entidades de classe: ACI (Associação Cearense de Imprensa),Sindicato dos Jornalistas do Ceará e Comissão Nacional de Ética da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas).

Em 1968, no ano em que fora instituído o AI-5, Adísia Sá era diretora do Colégio Estadual Justiniano de Serpa, em Fortaleza (Ceará). Adísia tinha postura fascista e persecutória contra alunas ligadas ao movimento estudantil, tendo expulso em maio daquele ano a aluna Mirtes Semeraro de Alcântara Nogueira, sendo por esse motivo alvo da "Revolta das Saias", movimento de repúdio em resposta às posturas fascistas e de perseguição dentro da escola. O movimento tomou as ruas da cidade, sendo considerado a maior revolta feminina da América Latina da Época e resultando na queda de Adísia como diretora da escola.

Como retaliação, Adísia Sá entregou as alunas Mirtes e Maria do Carmo Moreira Serra Azul para a repressão da Ditadura Militar, onde Maria sofrera gravíssimas torturas pelos militares à época e Mirtes ficou foragida.

Paralelo ao seu trabalho de jornalista, Adísia Sá lançou 13 livros publicados nas áreas de filosofia, jornalismo e literatura:
Biografia de um Sindicato
Capitu conta Capitu
Clube dos Ingênuos
Em busca de Iracema
Ensino de Filosofia no Ceará (coordenadora)
Ensino de Jornalismo no Ceará
Fenômeno Metafísico
Fundamentos Científicos da Comunicação (coordenadora)
Introdução à Filosofia
Metafísica para quê?
O Jornalista Brasileiro
Ombudsmen/Ouvidores: Transparência, Mediação e Cidadania (coletânea de textos sobre o assunto)
Traços de União

Em sua carreira, ganhou vários prêmios pelo reconhecimento de seu trabalho frente ao jornalismo. Em 2004 a FANOR (Faculdades Nordeste), Fortaleza, instalou a Cátedra Adísia Sá de Jornalismo, objetivando promover discussões sobre a ética na comunicação. Em 2005 foi homenageada com a publicação do livro "Adísia Sá - Uma biografia", de Luíza Helena Amorim.

Em 2009 o Jornal O estado criou, juntamente com o Instituto Venelouis Xavier Pereira, o Concurso Cultural Adísia Sá de Jornalismo, com o intuito de incentivar e premiar a criatividade e o talento dos estudantes de todos os semestres das faculdades de jornalismo de Fortaleza.

Em 2013 Adísia Sá recebeu do Governo do Estado do Ceará a Medalha da Abolição, por suas contribuições à sociedade cearense. A premiação é a maior comenda do Estado.