Quintino Cunha

Quintino Cunha

José Quintino da Cunha, nasceu em Itapajé, no dia 24 de julho de 1875 e faleceu em Fortaleza, no dia 1 de junho de 1943. Foi advogado, escritor e poeta cearense. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Ceará em 1909, onde começou a exercer a profissão de advogado criminalista. Foi deputado estadual entre 1913 e 1914.

Ficou bastante conhecido por seu estilo irreverente e carismático, também lembrado pelas anedotas que contava. Teve seus casos contados pelo seu colega e conterrâneo Roberto Victor Pereira Ribeiro, na revista Cultivar Justiça de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no ínsigne jornal Diário do Nordeste e no Portal Direito (CE).

Quintino e seus amigos boêmios e intelectuais da época, passavam o tempo na Praça do Ferreira, onde se concentravam o maior número de Cafés.

Muitos são os causos, uns comprovados e outros, como no caso do Seu Lunga, criados pelo bem humorado povo cearense e, atribuído à Quintino Cunha como autor.

Conta-se que:
Quintino Cunha, certa feita atuando como Advogado criminalista em uma causa difícil, tinha como adversário no jugamento, um colega que a todo momento, citava de cabeça os maiores juristas nacionais e estrangeiros, impressionando o júri e o juiz.
Então, Quintino começou a argumentar baseado nas teorias do nobre jurista Alberto Nepomuceno. E era Nepomuceno para cá, Nepomuceno para lá, citações belíssimas, profundas, tudo em prol de seu cliente.
Ao final do julgamento, causa ganha, o adversário vem cumprimentá-lo e pergunta:
– Dr Quintino, eu já estudei muito Direito, dou o braço a torcer, o senhor venceu. Mas apenas para satisfazer a minha curiosidade, quem é o jurista Alberto Nepomuceno?
E Quintino, com aquele jeito gozador dele diz:
– Eu também não conhecia, acabei de criar!
Na verdade, Quintino apenas criou o Maestro Alberto Nepomuceno como jurista, que ainda não era o grande mestre que se transformou, mas que já estudava música e era uma das pessoas que frequentava os cafés da Praça do Ferreira.

Consta que naquele primeiro quarto de século em Fortaleza existiam dois jornais de grande circulação. Quintino escrevia em um e outro jornalista, que se tornou seu desafeto por defender opiniões contrárias, escrevia noutro. Certa feita Quintino faz aniversário e os amigos providenciam uma festa surpresa para ele.
Logo depois dos parabéns quem entra na sala? Exatamente seu desafeto. E trazendo-lhe um presente nas mãos. Um grande pacote, com um papel bonito e um laço.
Entregou ao Quintino que ficou desconfiado. Para não fazer feio junto aos presentes, resolveu abrir o presente. Ao rasgar o papel, a surpresa: um par de chifres! E aquele bafáfá geral. Todos esperavam a reação de Quintino.
Ele não diz nada e simplesmente guarda o "presente". Nos dias e meses subsequentes nem uma linha de Quintino sobre o episódio. Meses depois eis que acontece o aniversário do jornalista que deu o "presente". E todos ficam esperando que o Quintino vá aprontar alguma. No dia, grande festa na sociedade fortalezense, a nata da sociedade é convidada, por óbvio Quintino não. Ao final da festa quem aparece na casa do aniversariante? Quintino com um presente de mesmo tamanho (e mesmo laço). Todos ficam apavorados. O que seria? Vai ter briga! Ele calmamente entraga o presente ao jornalista aniversariante que, com certo receio, vai abrindo o pacote. Tira o laço, rasga o lindo papel. E, para surpresa sua e de todos que ansiosamente esperam, encontra um lindo buquê de rosas! Ninguém entende nada, muito menos o aniversariante que esperava algo no mínimo igual ao que havia dado antes. E Quintino, na calma que lhe era peculiar, responde a todos:
– Só se pode dar aquilo que se tem!

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