Adahil Barreto

Adahil Barreto

Adahil Barreto Cavalcanti, Filho de Júlio Cavalcante e de Júlia Barreto Cavalcante, nasceu na casa de seus pais, na praça da matriz, no município de Iguatu (CE), no dia 13 de julho de 1914. É descendente das famílias mais antigas do Município, tendo seus bisavós sido fundadores da Villa da Telha, que depois passou a ser até hoje a cidade de Iguatu. Fez o Curso Primário em sua cidade natal, onde passou a infãncia. Em 1932 veio para Fortaleza e aqui estudou nos Colégios São Luís, do Dr. Menezes Pimentel, e Liceu do Ceará, fazendo os Cursos Secundários. Em seguida ingressou na Faculdade de Direito do Ceará, onde se formou em 1938. Desta data em diante até 1945, dedicou-se à advocacia, exercendo-a tanto aqui como em sua cidade natal.

Em 1945, com o advento do regime democrático no País, com o fim da ditadura de Vargas, passou a exercer a primeira função pública, quando, convidado pelo Secretário de Segurança Pública, na época Dr. Gomes de Matos, seu mestre e amigo, assumiu a Delegacia da investigações e capturas. Dois anos depois, ou seja, em 1947, pelo seu espírito abnegado e compostura reconhecidos pelo povo de Fortaleza, foi indicado no seu partido, a UGN, com a aprovação das lideranças políticas de Iguatu, para ser candidato a Deputado Estadual, tendo sido eleito.

Com uma atuação brilhante na Assembléia Legislativa, como constituinte, foi candidato em 1950 a Deputado Federal, logrando novamente êxito absoluto. Na Câmara teve comportamento marcante, voltado para os interesses da Nação e do Nordeste. Sua preocupação com o homem do campo, em virtude da seca, era constante, como da mesma forma defendia a melhor distribuição das riquezas nacionais.

Conseguiu com o Ministro das Minas e Energia, seu grande amigo Gabriel Passos, os primeiros recursos para a eletrificação de Iguatu, pela energia de Paulo Afonso, que em seguida, com os esforços de outros parlamentares cearenses, seria estendida a todo o Estado do Ceará. Com o prestígio de que desfrutava à época, foi possível a transferência de recursos da União, que seriam empregados em sua terra, na construção, instalação e manutenção de escolas, hospitais, associações beneficentes, etc.

Foi na qualidade de intransigente e vigilante das potencialidades nacionais que chegou a ser Vice-Presidente da Frente Parlamentar Nacionalista, ao lado de ilustres brasileiros como Artur Bernardes, dentre outros, órgão que obteve grande repercussão na vida política do País nos anos 60. Em 1962, foi candidato ao governo do Estado do Ceará, por uma coligação de pequenos partidos, já que as duas maiores agremiações, PSD e UDN, se uniram na chamada União pelo Ceará. Mesmo com grande força partidária, não foi eleito, apesar da expressiva votação, tendo-se elegido Deputado Federal, como a legislação de então permitia. Já em 1964, foi o relator da comissão parlamentar de inquérito (CPI) para examinar a conveniência de aquisição pelo Brasil do acervo das companhias de energia elétrica de contratos extintos ou em vias de extinção, tendo suas conclusões, apresentadas em relatório, sido aprovadas por unanimidade. Apontava, na ocasião, como fórmula mais viável para a incorporação ao Patrimônio Nacional, o da compra, desde que precedida de uma tomada de contas, com perícia contábil, nas citadas empresas, modo mais correto e seguro para chegar-se, sem dúvidas e suspeitas. ao preço justo das indenizações.

Com o movimento político-militar de 31 de março de 1964, foi o representante cearense alijado da vida pública, em que entrara por vocação e amor à causa popular. Cumpriu com serenidade e rara coerência o período de ostracismo, vivendo da advocacia, porém, jamais aceitou a injusta violação de seus direitos políticos.

Foi autor de projetos transformados em lei ou tornados realidades, entre outros, o que deu o nome Pinto Martins ao Aeroporto de Fortaleza, os quee criaram as Escolas Profissionais Batista de 0liveira, de Iguatu; Padre José Nilson, de Fortaleza e Colégio de Educação Rural e Doméstica de lguatu. Projetos: um que criou rito próprio para apreciação pelo Tribuna! de Contas da União dos processos de desapropriação de terras nas bacias de açudes e outro que criava novo Código de Contabilidade da União. Com a anistia concedida no govemo do Presidente Figueiredo, voltou às atividades políticas, filiando-se ao PMDB, no qual iria disputar uma cadeira no Parlamento Nacional.

Adahil tinha problemas de coração e sabia o risco que corria sua saúde, mas sempre coerente com seus princípios, não escondia o desejo de retornar à vida política, para servir ao povo e contribuir para o processo de abertura, cassado que fora pela Revolução.

Enfrentando uma árdua campanha, já com o estado de saúde bastante precário, teve uma parada cardíaca em sua residência, tendo sido levado às pressas para a U.T.I. Em lá chegando, melhorou e ainda brincou com os médicos que o assistiam, convidando-os para o "show" da bela comemoração de sua posse", mas teve uma segunda parada. Não resistiu, vindo a falecer no dia 11 de novembro de 1982, exatamente 4 dias antes das eleições.

Adahil Barreto deixou viúva D. Elza Maria Barreto Cavalcante, de cujo consórcio não tiveram filhos.

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