Raimundo Cela

Raimundo Cela

Utilizando as técnicas tradicionais do óleo, aquarela, lápis de cor e lápis preto, bico de pena, além de outras, Raimundo Cela criou e ensinou a feitura de estampas - impressão no papel da placa de metal trabalhada com o burril e o ácido - técnica com que melhor expressou o grande artista que ele soube ser. O melhor e breve escrito sobre a sua obra gravada encontra-se no catálogo do I salão de Belas artes; "Três Mestres da Gravura no Brasil" de Orlando da Silva.

"O número de chapas não alcança duas dezenas. As estampas brasileira são bem superiores às européias, mas a técnica não varia muito, sendo mais agressivas nas peças brasileiras. Dos trabalhos feitos na Europa há a destacar: Mendigos no Sena, Dia de Feira em Saint Agrève; das gravuras brasileiras, Circo, Bumba meu Boi, que têm algo de fantástico dado pela desproporção entre as figuras, pela deformação da perspectiva e ainda pelo contraste das figuras estáticas da esquerda com o movimento das que ficam à direita da gravura. a ressaltar ainda, e de modo especial, o Engenho, no meu julgamento sua melohr estampa.

Podemos ver marcas evidentes do raspador no céu de "Jangadas para o Mar", no canto inferior esquerdo de "Casa de Vaqueiro". Em "Fundição", duas larguras de traços são constatadas, e mosuras paralelas na calça do operário parecem evidenciar a trama de um tecido. Possivelmente usou lixa para abrir pontos na cera que protege a chapa para que o ácido não atinja, em "Viela", "Jangadas para o Mar", "Mendigos no Sena" e em "Fundição". a estampa sua em que se nota água-tinta mais facilmente é "Bumba meu Boi", na árvore que fica no canto superior direito.

José Roberto Teixeira Leite escreveu comentário sobre a sua gravura em "A Gravura Brasileira Contemporânea" - Rio de Janeiro - 1965 (Raimundo Cela: Um Pioneiro Esquecido) ... "Infelizmente a esse gravador admirável, ainda não se fez toda a justiça, sobretudo devido a preconceitos de ordem estética dos que pensam poder julgar o artista gráfico aprioristicamente, em razão das características conservadoras de sua pintura".

..."e quem escreve essas linhas ao se deparar pela primeira vez com a obra gravada do artista, a tal ponto vi-se impressionado, que se sentiu na obrigação de organizar no Museu nacional de Belas artes que então dirigia, uma Sala especial Raimundo Cela (1964)".

Por ocasião da exposição de 28 telas de Raimundo Cela na Casa de Juvenal Galeno (O Estado - 27.07.1944 - Fortaleza - CE) afirmou Chabloz: É pena que na exposição da Casa de Juvenal Galeno não figurem aquarelas e águas-forte de Raimundo cela. Com efeito, esses dois gêneros difíceis e exigentes revelam mais ainda do que os óleos as grandes qualidades de estilo e sensibilidade de artista.

As citações e textos aqui transcritos sobre a sua gravada têm com finalidade evidenciar o grande mestre de gravura e destacar a admiração dos críticos de arte do país sobre as suas renomadas gravuras em metal.

Extraído do site do Museu de Arte da UFC

raimundo cela - quadro 1
raimundo cela - quadro 2
raimundo cela - quadro 3